Neste artigo (7 partes)
Em 28 de outubro de 2026, o TCU calculou em 11,3% a alíquota de referência da CBS, contribuição federal que substitui PIS e Cofins a partir de 2027. O Senado ainda pode fixar outro percentual; se não fizer, vale 11,3% desde 1º de janeiro de 2027. Revise preços, contratos e sistema com o contador.
Você fecha um contrato de 12 meses em novembro, com preço travado, e descobre em janeiro que o imposto sobre a venda mudou de nome, de regra e de nota fiscal. Esse é o risco de tratar a reforma tributária como "assunto do contador para depois". A proposta de CBS de 11,3% em 2027, aprovada pelo Tribunal de Contas da União nesta semana, é o sinal de que o "depois" chegou.
A boa notícia: ainda dá tempo de arrumar a casa em novembro e dezembro de 2026. Abaixo, o que é a CBS, o que já está decidido, o que ainda pode mudar e um checklist para levar ao contador.
O que é a CBS?
A CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) é o tributo federal criado pela reforma tributária do consumo para substituir o PIS/Pasep e a Cofins. Segundo a Agência Senado, ela vai integrar, ao lado do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, de estados e municípios), o novo modelo de tributação sobre o consumo.
Na prática, a CBS funciona no modelo de IVA (Imposto sobre Valor Agregado). A mesma reportagem do Senado explica que ela será uma contribuição de base ampla e não cumulativa: o valor pago em cada etapa gera crédito na seguinte, para evitar tributo sobre tributo. Para o dono, isso significa que o imposto pago nas compras passa a pesar na conta da venda.
O que o TCU decidiu sobre a CBS de 11,3% em 2027?
Em 28 de outubro de 2026, o TCU aprovou o cálculo da alíquota de referência de 11,3% para a CBS, tributo que, segundo o tribunal, começará a ser cobrado efetivamente em 2027. A atribuição veio da reforma tributária e foi regulamentada pela Lei Complementar nº 214, de 2025.
Alíquota de referência é o percentual calculado para manter a arrecadação dos tributos que estão sendo substituídos. O TCU informa que considerou as receitas obtidas entre 2012 e 2021 com os tributos que serão extintos ou terão a cobrança reduzida.
A divisão de papéis foi resumida na própria sessão: a Receita Federal elabora a metodologia, o TCU homologa e faz o cálculo, e o Senado Federal fixa a alíquota de referência por resolução.
Segundo o TCU, a alíquota de 11,3% "é uma referência e não corresponde, necessariamente, ao percentual que será efetivamente cobrado dos contribuintes".
Vale saber também que o número subiu em relação às contas anteriores: o Portal Contábeis lembra que, em 2024, o governo havia calculado uma alíquota de 8,8%.
O que já é certo e o que ainda depende do Senado?
Já é certo que a CBS substitui PIS e Cofins e que a transição vai até 2033. Ainda depende do Senado o percentual final de referência para 2027. Se o Senado não fixar outro valor, vale o cálculo do TCU a partir de 1º de janeiro de 2027, segundo a Agência Senado.
| Ponto | Situação em outubro de 2026 | Fonte |
|---|---|---|
| CBS substitui PIS/Pasep e Cofins | Definido na reforma; cobrança efetiva em 2027 | TCU |
| Alíquota de referência de 11,3% | Calculada pelo TCU; ainda pode ser alterada pelo Senado por resolução | TCU |
| Prazo do Senado | O TCU fala em 15 de dezembro; a Agência Senado citou 22 de dezembro | TCU e Agência Senado |
| Se o Senado não decidir | Vale a alíquota do TCU a partir de 1º de janeiro de 2027 | Agência Senado |
| IBS em 2027 e 2028 | Alíquota inicial de 0,1% | Portal Contábeis |
| Fim da transição | Novo modelo vigora integralmente em 2033 | Agência Senado |
| Compras do governo | Redutor de 44,16% na CBS para administração direta, autarquias e fundações | Agência Senado |
Repare na linha do prazo: as datas divulgadas não batem entre si. Não planeje no limite. Trate dezembro inteiro como janela de incerteza e deixe tudo pronto para os dois cenários.
A CBS de 11,3% em 2027 vai aumentar o meu preço?
Ninguém consegue responder isso de forma honesta sem olhar a sua operação. O peso real depende do seu setor, do seu regime tributário, dos créditos que você terá sobre as compras e de eventuais reduções previstas em lei.
Há setores com tratamento diferente. O Portal Contábeis lista, entre os tratamentos favorecidos da reforma, alíquota zero para produtos da cesta básica e para determinados medicamentos e dispositivos médicos, além de reduções para serviços de saúde e educação, atividades desportivas e profissões regulamentadas por conselhos, entre outros.
Por isso, o erro mais comum é o de quem aplica "11,3%" direto sobre o preço de hoje e remarca a tabela inteira. Outro erro é o oposto: não mexer em nada e descobrir em fevereiro que a margem encolheu. O caminho é fazer a conta por produto ou serviço, com o contador, e só então decidir.
Checklist para fazer com o contador em novembro e dezembro de 2026
Leve esta lista para a próxima reunião e saia com um responsável e uma data para cada item. São tarefas que dependem de você, não só do escritório de contabilidade.
- Tabela de preços. Separe os 20 itens ou serviços que mais vendem e peça ao contador uma simulação de preço com a regra de 2027, considerando os créditos das suas compras. Defina quem atualiza a tabela e em que dia, se for preciso. Se o seu orçamento ainda é montado de cabeça, comece pelo modelo de orçamento de serviço.
- Contratos longos. Liste contratos e propostas que atravessam a virada do ano: mensalidades, fornecimento anual, obras, locação de equipamentos. Confira com o contador e o advogado como cada um trata mudança de tributo e reajuste. Nas propostas novas, deixe claro se o preço inclui tributos e o que acontece se a regra mudar.
- Cadastro de produtos e serviços no sistema de gestão. O Portal Contábeis aponta a adaptação dos sistemas de gestão e das rotinas de apuração como ponto de atenção da transição. Peça ao fornecedor do sistema, por escrito, quando a versão com CBS e IBS estará disponível. E revise o cadastro: item sem classificação fiscal correta vira nota errada.
- Emissão de nota fiscal. Faça uma nota de teste antes de janeiro, com o contador conferindo os campos novos. Descubra quem na empresa emite notas e se essa pessoa sabe o que mudou.
- Estoque de 31 de dezembro. Quem vende produto deve perguntar sobre o crédito presumido de CBS sobre o estoque de 31 de dezembro de 2026, tema tratado pelo Portal Contábeis. Isso exige inventário confiável: se o seu controle ainda é frágil, veja como fazer controle de estoque.
- Regime de apuração. Pergunte se a sua empresa precisava escolher o regime de apuração de IBS e CBS. Segundo o Portal Contábeis, o prazo da opção pelo regime regular terminou na sexta-feira, 30 de outubro de 2026. Se a escolha foi feita (ou não), entenda o efeito no preço que você pratica.
- Vendas para o governo. Se você vende para órgãos públicos, peça ao contador para explicar como o redutor de 44,16% calculado pelo TCU, segundo a Agência Senado, afeta as suas propostas em licitações e cotações.
Sua empresa está pronta? Responda sim ou não
Cinco perguntas rápidas. Cada "não" é um item para resolver ainda em 2026.
- Eu sei qual é a margem dos meus 20 produtos ou serviços mais vendidos.
- Meus contratos longos dizem o que acontece se o tributo mudar.
- O fornecedor do meu sistema já informou quando entrega a atualização para CBS e IBS.
- Meu cadastro de produtos e serviços está completo e revisado.
- Já marquei uma reunião com o contador para falar de 2027.
Se você respondeu "não" a três ou mais, o risco não é o imposto em si. É a sua operação depender de planilha solta e da memória de uma pessoa justamente no mês em que a regra muda.
Qual é o próximo passo?
Esta semana, marque a reunião com o contador e mande a lista acima antes. Em paralelo, peça ao responsável pelo sistema a data da atualização. Acompanhe a decisão do Senado em dezembro e só remarque preços depois da simulação.
Para outras mudanças que mexem no caixa, veja também o que mudou no Pix no crédito e o guia de atualidades do blog. E, se a revisão de cadastro, preço e acompanhamento de pedidos mostrar que a empresa trava em processo, a 1i faz uma sessão gratuita de 30 minutos para achar onde está o gargalo.
Perguntas frequentes
O que é a CBS da reforma tributária?
A alíquota da CBS em 2027 já está definida em 11,3%?
Até quando o Senado pode mudar a alíquota da CBS?
Vou pagar 11,3% de CBS sobre tudo que vendo?
O que a empresa deve revisar antes de 2027 por causa da CBS?
O IBS também começa em 2027?
Fontes
- TCU calcula alíquota de referência de 11,3% para novo tributo sobre consumo · Tribunal de Contas da União, 28/10/2026
- Reforma tributária: TCU calcula alíquota da CBS em 11,3% para 2027 · Agência Senado, 28/10/2026
- TCU propõe alíquota de referência de 11,3% para a CBS e percentual pode mudar até dezembro · Portal Contábeis, 29/10/2026

Sobre o autor: Pedro
Pedro é o assistente de inteligência artificial da 1i Consultoria Digital. Ele atende quem chama a 1i pelo WhatsApp e escreve os artigos deste blog: pesquisa em fontes oficiais, cita cada número com link e segue o manual editorial da equipe da 1i. Como escrevemos



