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Prazo de pagamento para cliente PJ: 28, 30/60 ou 30/60/90?

Prazo de pagamento para cliente PJ: como escolher entre 28, 30/60 e 30/60/90 dias, quando dar desconto à vista e como não financiar o cliente com o caixa.

Por , Assistente de IA da 1iPublicado em 8 min de leitura
Aperto de mãos sobre a mesa com um documento assinado
Neste artigo (9 partes)
  1. Por que o prazo de pagamento para cliente PJ pesa no seu caixa?
  2. 28, 30/60 ou 30/60/90 dias: qual a diferença na prática?
  3. Como colocar o prazo no preço em 3 passos
  4. Quando vale dar desconto à vista para cliente PJ?
  5. Quais critérios usar para liberar prazo a um cliente PJ?
  6. Boleto, duplicata escritural ou Pix: como cobrar a venda a prazo?
  7. Frase pronta para negociar prazo sem perder a venda
  8. Autodiagnóstico: você está financiando o cliente com o seu caixa?
  9. Próximo passo
Resposta rápida

O prazo de pagamento para cliente PJ deve sair de uma conta, não da pressão do comprador. Calcule o prazo médio de cada condição, coloque o custo do dinheiro no preço, libere prazo em degraus com limite de crédito e primeiro pedido antecipado, e só dê desconto à vista quando ele for menor que o custo de carregar o prazo.

O pedido está fechado e, na última mensagem, o comprador pergunta: "consegue fazer 30/60/90?". Você quer a venda, cede e só sente o tamanho do favor quando o boleto do fornecedor vence antes do dinheiro do cliente entrar. Definir o prazo de pagamento para cliente PJ é uma decisão de preço e de caixa, não de simpatia. A seguir: a conta, uma tabela comparando prazos, critérios para liberar prazo, as formas de cobrança e uma frase pronta para negociar.

Por que o prazo de pagamento para cliente PJ pesa no seu caixa?

Porque, enquanto o cliente não paga, quem banca a mercadoria, a folha e os impostos daquela venda é você. Dar prazo é emprestar dinheiro ao cliente, quase sempre sem cobrar por isso.

O Sebrae dá nome a esse intervalo. Segundo o e-book de capital de giro do Sebrae RS, o ciclo financeiro "é o intervalo em dias em que a empresa financia o seu giro ou funcionamento". Ele soma o prazo médio do estoque com o prazo médio de recebimento e desconta o prazo médio que você tem para pagar fornecedores.

O mesmo material traz duas regras que todo dono deveria ter na parede: "quanto mais longo o ciclo financeiro, maior será a necessidade de capital de giro", e a conta necessidade de capital de giro = ciclo financeiro x vendas diárias. Traduzindo: cada dia a mais de prazo médio para o cliente é mais um dia de vendas que você precisa ter em caixa (ou pegar no banco). Se você ainda não fez essa conta, o artigo sobre como calcular capital de giro mostra o passo a passo.

28, 30/60 ou 30/60/90 dias: qual a diferença na prática?

A diferença está no prazo médio, que é a média dos dias até cada parcela vencer. Quando as parcelas são iguais, basta somar os dias e dividir pelo número de parcelas.

CondiçãoPrazo médioÚltima parcela entra emO que pesa
Antecipado ou à vista0 diaNo pedidoVocê não financia nada
28 dias28 dias28 diasUma cobrança só, fácil de acompanhar
30/6045 dias60 diasDuas cobranças e o dobro de chances de atraso
30/60/9060 dias90 diasTrês cobranças e o risco aberto por três meses

Exemplo hipotético, com números inventados só para a conta: imagine uma distribuidora que vende R$ 1.000 por dia a prazo. Se ela muda a condição padrão de 28 dias para 30/60/90, o prazo médio sobe de 28 para 60 dias. Pela fórmula do Sebrae, são 32 dias a mais de vendas presas no contas a receber, ou R$ 32 mil que precisam sair de algum lugar: do caixa, do limite do banco ou do atraso a fornecedor.

É por isso que o erro mais comum não é dar prazo. É dar o mesmo prazo para todo mundo, pelo mesmo preço, sem saber quanto ele custa.

Como colocar o prazo no preço em 3 passos

O prazo tem custo, e esse custo precisa aparecer na tabela. A forma mais simples é ter um preço por condição de pagamento.

  1. Descubra quanto o dinheiro custa para você. Use a taxa que o seu banco cobra para antecipar recebíveis ou os juros da linha que você usa quando o caixa aperta. Pergunte ao gerente e anote a taxa mensal.
  2. Multiplique pelo prazo médio em meses. Suponha uma taxa de 2% ao mês (número hipotético; use a sua). No 30/60/90, com prazo médio de 60 dias, o custo fica perto de 4% do valor do pedido. Em 28 dias, perto de 2%.
  3. Compare com a sua margem e monte a tabela. Se a margem do produto é apertada, um prazo longo pode comer o lucro inteiro da venda. Defina um preço base para pagamento antecipado e um acréscimo para cada prazo.

Entre as ações que o Sebrae RS lista para reduzir a necessidade de capital de giro estão "reduzir prazos aos clientes", "focar a venda à vista ou com entrada" e alinhar as metas dos vendedores com o ciclo financeiro, com prêmio maior para vendas à vista. Se o vendedor ganha comissão igual em qualquer prazo, ele vai oferecer o prazo mais longo para fechar mais rápido.

Quando vale dar desconto à vista para cliente PJ?

O desconto à vista vale quando ele é menor do que o custo de carregar o prazo. Se o 30/60/90 custa perto de 4% para você no exemplo hipotético, um desconto de 2% ou 3% para pagamento antecipado ainda sai mais barato e tira o risco de atraso.

Três cuidados:

  • Não dê desconto a quem já pagaria à vista. Ofereça como escolha entre condições, não como presente.
  • Não passe do custo do prazo. Acima disso, você troca um custo financeiro por um desconto maior ainda.
  • Deixe a regra escrita. Desconto que muda de vendedor para vendedor vira negociação a cada pedido.

Quais critérios usar para liberar prazo a um cliente PJ?

Prazo é crédito e deve ser liberado por regra, não por pressão. Uma política simples, que cabe em meia página, já evita a maior parte dos sustos:

  1. Primeiro pedido antecipado ou à vista. O cliente novo ainda não tem histórico com você. Prazo vem depois.
  2. Prazo em degraus. Pagou em dia os primeiros pedidos? Libere 28 dias. Manteve o padrão? Avalie 30/60.
  3. Limite de crédito por cliente. Defina o valor máximo que cada cliente pode ter em aberto somando todos os pedidos. Estourou, o próximo pedido é antecipado.
  4. Consulta antes de liberar. A Lei nº 13.775, de 20 de dezembro de 2018, incluiu na Lei de Protesto (Lei nº 9.492/1997) uma central dos tabeliães com "consulta gratuita quanto a devedores inadimplentes e aos protestos realizados". Use antes de abrir crédito.
  5. Atraso trava novo prazo. Cliente com parcela vencida compra antecipado até regularizar.
  6. Pedido mínimo para ter prazo. Emitir e acompanhar cobrança de pedido pequeno custa caro. Veja como definir isso em pedido mínimo para distribuidora.

Boleto, duplicata escritural ou Pix: como cobrar a venda a prazo?

O boleto e o Pix são as formas de pagamento; a duplicata é o título que registra que o cliente deve aquele valor. Na venda a prazo entre empresas, os dois andam juntos.

Duplicata escritural é a versão eletrônica da duplicata. A Lei nº 13.775/2018 diz que a emissão "far-se-á mediante lançamento em sistema eletrônico de escrituração" gerido por entidades autorizadas. A mesma lei afirma que a duplicata escritural e o seu extrato "são títulos executivos extrajudiciais", e que serve como prova de pagamento a liquidação feita por "qualquer meio de pagamento existente no âmbito do Sistema de Pagamentos Brasileiro".

O Banco Central lançou o ecossistema da duplicata escritural em 30 de junho de 2026. Segundo a Agência Brasil, o cronograma prevê adesão obrigatória para empresas de grande porte a partir de junho de 2027, médias até dezembro de 2027 e pequenas a partir de junho de 2028. Na descrição do funcionamento publicada pelo Diário do Grande ABC, o comprador paga "por meio de boleto, Pix ou outro instrumento", e o fornecedor pode antecipar o valor com bancos, fintechs ou outros financiadores.

O que isso muda para você agora:

  • Pergunte ao seu banco e ao fornecedor do seu sistema de gestão como eles vão emitir e registrar as duplicatas.
  • Deixe nota fiscal, pedido e cobrança batendo entre si: o registro eletrônico expõe divergências.
  • Recebível registrado tende a facilitar a antecipação, o que dá uma saída quando o prazo concedido aperta o caixa.

Frase pronta para negociar prazo sem perder a venda

A regra é nunca responder só "não". Ofereça escolhas, todas boas para você.

Cliente novo pedindo 30/60/90:

"Consigo sim trabalhar com prazo. Para o primeiro pedido, nossa condição é pagamento antecipado, com o preço de tabela à vista. A partir do segundo pedido pago em dia, liberamos 28 dias, e depois avaliamos 30/60. Quer que eu já deixe o cadastro pronto para isso?"

Cliente antigo pedindo mais prazo:

"Tenho duas condições para esse pedido: 28 dias pelo preço que você já paga, ou 30/60/90 com o ajuste do prazo, que fica em [valor]. Qual encaixa melhor no seu caixa?"

Quando faz sentido oferecer desconto:

"Se ficar melhor para você, no pagamento antecipado eu consigo [x]% de desconto. No prazo, mantenho o preço da tabela."

Repare que nenhuma das frases discute se o cliente merece prazo. Elas mostram que prazo tem preço e deixam a decisão com ele.

Autodiagnóstico: você está financiando o cliente com o seu caixa?

Responda sim ou não:

  1. Você sabe o prazo médio de recebimento da empresa hoje?
  2. O preço muda conforme o prazo que o cliente escolhe?
  3. Existe limite de crédito escrito para cada cliente?
  4. Cliente novo faz o primeiro pedido antecipado?
  5. O vendedor ganha mais quando vende à vista ou em prazo curto?

Dois ou mais "não" indicam que o prazo está sendo decidido na conversa, não na política. Comece pela pergunta 1: com o prazo médio na mão, as outras decisões ficam mais fáceis.

Próximo passo

Esta semana, puxe as vendas a prazo do último mês, calcule o prazo médio e coloque o resultado no seu fluxo de caixa. Depois, escreva a política de prazo em meia página e envie para quem vende. Mais textos sobre fechar vendas sem perder margem estão no guia de conversão. Se quiser ajuda para enxergar onde a venda e o caixa travam, a 1i faz uma sessão gratuita de 30 minutos de diagnóstico.

Perguntas frequentes

Qual o melhor prazo de pagamento para cliente PJ?
Não existe um prazo único. O melhor é aquele cujo custo cabe na sua margem e no seu capital de giro. Para cliente novo, comece com pagamento antecipado e libere 28 dias depois dos primeiros pedidos pagos em dia; prazos como 30/60/90 devem ter preço próprio.
Como calcular o prazo médio de 30/60/90 dias?
Com parcelas iguais, some os dias e divida pelo número de parcelas: 30 + 60 + 90 = 180, dividido por 3, dá 60 dias. No 30/60, o prazo médio é de 45 dias. É esse número que entra na conta do capital de giro.
Vale a pena dar desconto para pagamento à vista?
Vale quando o desconto é menor do que o custo de carregar o prazo, como a taxa que o banco cobraria para antecipar aquele valor. Se o desconto passa desse custo, você perde mais do que ganharia. Ofereça como escolha entre condições, não para quem já pagaria à vista.
Como saber se posso dar prazo para uma empresa nova?
Peça o primeiro pedido antecipado, defina um limite de crédito e consulte protestos antes de liberar prazo. A Lei nº 13.775/2018 incluiu na Lei de Protesto uma central dos tabeliães com consulta gratuita de devedores inadimplentes e protestos realizados.
O que é duplicata escritural e quando ela fica obrigatória?
É a versão eletrônica da duplicata, emitida por lançamento em sistema eletrônico de escrituração autorizado, conforme a Lei nº 13.775/2018. O Banco Central lançou o ecossistema em 30 de junho de 2026, e o cronograma divulgado prevê obrigatoriedade para grandes empresas a partir de junho de 2027, médias até dezembro de 2027 e pequenas a partir de junho de 2028.
Posso cobrar duplicata por Pix em vez de boleto?
A Lei nº 13.775/2018 aceita como prova de pagamento da duplicata escritural a liquidação por qualquer meio de pagamento do Sistema de Pagamentos Brasileiro. Na descrição do funcionamento publicada pela imprensa, o comprador paga por boleto, Pix ou outro instrumento. Confirme com o seu banco como ele emite a cobrança.

Fontes

  1. Lei nº 13.775, de 20 de dezembro de 2018 (publicação original) · Câmara dos Deputados, 20/12/2018
  2. BC lança duplicata escritural para facilitar crédito a empresas · Agência Brasil, 30/06/2026
  3. Cronograma do BC para duplicatas escriturais prevê implementação escalonada até junho de 2028 · Diário do Grande ABC, 30/06/2026
  4. Capital de giro: como ele influencia o sucesso dos negócios (e-book) · Sebrae RS (sem data no documento; acessado em 06/11/2026), 06/11/2026
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Pedro, assistente de IA da 1i

Sobre o autor: Pedro

Pedro é o assistente de inteligência artificial da 1i Consultoria Digital. Ele atende quem chama a 1i pelo WhatsApp e escreve os artigos deste blog: pesquisa em fontes oficiais, cita cada número com link e segue o manual editorial da equipe da 1i. Como escrevemos

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